terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Conheça quem faz a Hyper Books

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Funcionário: Carlos Alberto Moreira Leal (Cacá)
Função: Gerente de Logística
Local: Escritório da rede (São Paulo/SP)

Olá, amigos. Eu sou o Carlos Alberto, e trabalho como gerente de logística da Hyper Books no Brasil. Comecei na empresa como vendedor na loja dos Jardins, em São Paulo, há mais de dez anos. Era para ser só um emprego temporário, uma maneira de pagar as contas enquanto estudava Direito. Me apaixonei pelo ambiente da livraria, pelo trabalho, pela equipe (até demais, conheci minha esposa aqui). Mudei de curso na faculdade, fui sendo promovido, e hoje tenho um cargo que adoro, e que desempenho com muito prazer.

Mas o que nós fazemos no Departamente do Logística? Como vocês devem saber, a Hyper Books tem muitas lojas espalhadas pelo Brasil. Todas essas lojas precisam receber os lançamentos em termos de livros, CDs, blu-rays, revistas, além de reabastecer os estoques quando algum produto está acabando. Nós recebemos os pedidos de cada loja, organizamos a distribuição, o transporte. Nosso objetivo é garantir que cada loja possa oferecer ao cliente as opções que ele procura, sendo que os produtos devem chegar sempre em ótimas condições, em prazo razoável e com o menor custo possível, para que possamos oferecer os melhores preços a vocês, nossos clientes.


Todos na nossa equipe aqui no Departamento de Logística da Hyper Books Brasil temos muito orgulho do nosso papel em tornar cada visita a nossas lojas uma experiência recompensadora.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ligações Improváveis

Foto de Croquezz
Quando Caio atendeu o telefone, cordial e disposto a agendar o encontro mesmo que já tivesse antes decidido que não abriria o escritório no período entre natal e ano novo, arrependeu-se imediatamente de ter solicitado reuniões presenciais com membros da equipe local. No fundo talvez não fosse fazer muita diferença ouvir os anseios de algum empregado da organização a menos que fosse alguém destacado para trabalhar na cidade, mas como recém haviam contratado o espaço no shopping para iniciar a montagem, provavelmente só poderia conversar mesmo com membros de outras regiões.

Antes de retornar ao Brasil, sem ter refeito os percursos que imaginava querer relembrar, o arquiteto conheceu a maior das lojas de Londres e a filial do Porto, que lhe surpreendeu pela extravagância de ter sido montada com um layout que representava as iniciais da marca. Ver aquilo o confortou, por um lado, significava que talvez a margem para criação fosse até maior do que imaginava. Por outro lado, se o tal gerentão que conheceu em Londres tinha gostado daquele projeto, certamente não gostaria do que ele estava planejando.

O gerente de logística da rede foi quem ligou, pessoalmente. O fato de ter dispensado as formalidades de uma secretária para intermediar o encontro fez com que Caio perguntasse se ele já conhecia a cidade, se precisava de indicações para hospedagem e até a convidá-lo para jantar. Arrependeu-se um pouco pelo excesso de atenções, pois não tinha ideia se simpatizaria com o sujeito. De toda sorte, poderia levantar as informações fundamentais para tocar o projeto.

O jovem gerente da logística se apresentou como Cacá, assim sem nenhuma cerimônia. Caio estranhou, mas supôs que a competência do rapaz era suficiente para não precisar de outros artifícios que impusessem respeito. Enquanto combinavam os detalhes da reunião que deveria acontecer depois do dia 26, pareciam amigos de tempos.

- Minha mãe era bibliotecária, talvez por isso tenha me empolgado em projetar uma livraria.
- Que bacana. Ela certamente vai gostar de fazer compras na loja que o filho planejou.
- Não poderia. Mesmo que ainda fosse viva, não morava aqui. Eu não sou gaúcho, vim de São Paulo há muitos anos.
- Ahn. Desculpe.
- Sem problemas. Quando tiver definido os detalhes da viagem, voltamos a nos falar.

Despediram-se sem preocupações com o pequeno incidente da conversa. Caio não anotou na sua agenda de qual filial ele vinha, tampouco se viria sozinho ou com mais alguém da equipe. Andava disperso e continuava sem entender porque se empenhara para ganhar aquele contrato justo no momento em que estava praticamente decidido a deixar a profissão de lado, ao menos até decifrar as inquietações que surgiram naqueles dias de longas caminhadas na praia, quando a cena do pescador consertando sua rede suscitaram uma inveja febril em Caio.

Era noite já quando resolveu andar pelas ruas do centro para se livrar do ar abafado que reinava no apartamento e nas ruas aristocráticas do bairro onde morava. Ao passar pela vitrine da pequena livraria de rua, questionou-se se Vilma teria mesmo orgulho de um projeto no estilo que faria. Talvez ela preferisse essas pequenas lojas de rua onde os compradores, os vendedores e os livros se conheciam todos.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Parabéns Hyper Books do Porto! :)


Parabéns a você,
nesta data querida,
muita felicidade,
muitos anos de vida

Parabéns Hyper Books do Porto
nesta data querida
muita felicidade,
muitos anos de vida!

Hoje, feriado da Imaculada Conceição, a Hyper Books do Porto faz uma década de existência!
Para comemorar o aniversário, colocou todos os livros com 50% desconto.
É a confusão total na loja apesar de serem 23h45mins de um domingo! Há corredores com as estantes completamente vazias e também há bichas quase a dar a volta completa a loja. Isto obrigou os seguranças ao longo do dia a fecharem a loja temporariamente por questões de segurança.
Infelizmente, já foi chamado o INEM algumas vezes para socorrer alguns feridos. Espero que esteja tudo bem com estas pessoas! O caso mais grave ocorreu a hora do almoço. Eram 13h13mins quando terminou a disputa de Aunt Renie, a famosa idosa, e Maria, uma jovem grávida, pelo “O Milionário de Lisboa” de José Rodrigues dos Santos. Era o último exemplar! A Aunt Renie, que é a viúva famosa por dar a volta ao mundo como forma de combater a solidão, vinha de sul para norte da zona da poesia portuguesa com o seu guarda-chuva pendurado no braço esquerdo. A Maria, que pela barriga aparentava estar grávida a 6 meses, vinha de norte para sul da zona da culinária com uma expressão facial de fúria, que talvez causada pelo caos. Mas no meio da confusão, o livro foi rasgado a meio e após a confusão a Aunt Renie ficou com uma perna partida e a Maria a sangrar da cara. Isto tudo era desnecessário porque teve origem no toque involuntário da idosa com o guarda-chuva na barriga da jovem grávida. Os outros casos tiveram haver sobretudo a quebras de tensão mas também há casos de pessoas agredirem com chapadas ou puxarem cabelos a outras pessoas com o objetivo de roubarem livros.
Só quero ir dormir! Estou completamente roto da cabeça e do corpo! A manhã até começou normal e com alguma calma apesar de estarmos em época natalícia. Esta calma deve-se sobretudo ao gerente da loja que guardou em segredo esta promoção até meia hora antes da abertura da loja. Depois, a palavra começou a passar em boca em boca e em rede social em rede social e em cerca de 45 minutos instalou-se o caos.
Mas no meio deste caos, eu tive direito a dois minutos de fama! Viram-me no telejornal da noite do canal 3!? Era um sonho de criança falar na televisão. Já sou famoso! Amanhã, eu depois vou a box e vejo o telejornal.
Sobre a possível queixou que entrou na ASAE contra a Hyper Books do Porto por causa de dumping, eu estou proibido confirmar ou desmentir pela gerência da loja. Só posso expressar a minha opinião que é que neste Natal há imensas famílias que vão ter um Natal mais risonho apesar das suas dificuldades económicas porque a gerência desta loja. Também espero que a gerência nos pague, pelo menos, a dobrar este dia porque o trabalho é de outro mundo. Assim, também tenho direito a ter um Natal mais risonho!
Agora, eu vou a zona da restauração jantar um hambúrguer com batatas fritas porque não há tempo a perder e a noite promete ser longa.

Abreijos,

José Maria

sábado, 7 de dezembro de 2013

Viagem. Mental.

Nossa, faz tempo que não vou a Porto Alegre. E tinha que ser justo agora, na época mais movimentada do ano. Demoram um tempão pra definir a abertura de outra loja lá, e resolvem tirar o projeto do zero no Natal. Se dependesse só dos chefões lá da Inglaterra, provavelmente a livraria nova já estaria aberta. Com eles, o negócio é eficiência. O Brasil é mais complicado. Mas nós não levamos o mesmo baque da última crise, e agora somos um bom negócio. Eles que aguentem as maluquices daqui.

Vou ouvir alguma coisa. Agitada, pra cima. O lado ruim de ter muita música é que às vezes é difícil de escolher, se o cara não tá com vontade de ouvir algo bem específico. Skynyrd, Sweet Home Alabama, tá escolhido. De repente é uma boa trocar algumas músicas do iPhone antes de viajar. Como era mesmo o nome do gerente da loja de Porto Alegre? Depois eu olho na agenda. O arquiteto provavelmente vai querer falar com ele também. Como será esse arquiteto? Deve ser bom, aprovado diretamente pelo pessoal de Londres. Será que conhece Porto Alegre?

Vou convidar a Maria Clara pra ir comigo. Da outra vez ela já não foi, não conhece Porto Alegre ainda. Só ficou perguntando na volta se as gaúchas eram mesmo tão bonitas. Próxima música... Mike and the Mechanics, Over My Shoulder. Não, a letra é meio deprê, fim de relacionamento, cara chutado pela mulher. O novo clipe do Paul, óbvio! Ainda falta identificar algumas das celebridades. Johnny Depp, Meryl Streep, Jude Law, Sean Penn, Chris Pine, esses foram fáceis. Alice Eve, a cena da calcinha no último Star Trek, mas tive que pesquisar o nome. Lily Cole também. Pô, aquela é a Alanis ou não é? Passa muito rápido. O Júnior falou que tem o Tom Ford também, mas quem é que conhece a cara de um estilista? A Kate Moss dançando em cima da mesa é quase tão sexy quanto a Alice Eve deitadinha no piano. Acabou, mais tarde eu tento de novo. Dance Tonight. Nunca consigo ver um clipe do Paul sem ver Dance Tonight depois. Vão me matar, mas tenho que admitir, pelo menos pra mim mesmo, que é uma das minhas preferidas dele. Quem é que vai me matar se eu admito só pra mim mesmo? Que bobagem. Uhu, propaganda nova do Head & Shoulders com o Joel!


A Maria Clara não vai querer ir pra POA. Mesmo sendo no Natal. Ou quase no Natal. Pelo menos não vão me obrigar a viajar exatamente em 24 e 25. Que rosto lindo tem essa Natalie Portman. Vai estar quente pra caramba. Eu já cai nessa de achar que o Sul é sempre frio. Dessa vez, vou preparado pro calor. Enfim, ela não vai querer ir. Não sei se eu iria se não fosse a trabalho também. Além do calor de matar, a cidade fica morta nessa época, e nem tem muito pra fazer mesmo quando as pessoas estão lá. Mas vou convidar igual. Bom, a viagem é mais pra frente. Antes disso, ainda tem um monte de entregas a organizar. Melhor começar a preparar as atividades da semana. Pera, acabou o clipe, vou pegar alguma coisa pra comer e depois começo a trabalhar.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A Escolha do Gerente de RH

A semana se passou com ocorrências interessantes. Conheci três candidatos jovens (19, 21 e 22 anos) à vaga de vendedor da Hyper Books. Eles se apresentaram bem vestidos em demasia para a vaga. Isto denota algum tipo de preocupação com a aparência com maior vigor que em jovens normais. É uma boa coisa. Candidatos diferentes.

Eles falavam adequadamente, mas rápido, na sala do Gerente de RH, que preferiu a entrevista coletiva na minha sala privativa. Inicialmente a decoração metálico-negro do escritório causa impacto suficiente para deixar as pessoas admiradas e absortas pela falta de vida da sala. É um ambiente que tem o intuito de ser sinistro, mas leve. Apenas quando se presta atenção ao contraste do brilhoso prata com o metálico é que dá a sensação de armadilha.

Voltando à fala, eles pareciam bem educados, provavelmente jovens que queriam demonstrar ter habilidade para trabalhar em empregos nos quais são qualificados demais. Provavelmente para enfrentar os pais burgueses que preferiam que seus filhos fossem médicos, engenheiros e advogados renomados. Já fui assim, eu sei como é.

Inicialmente eu faria o papel de misterioso, contudo, ao observar a fala dos jovens, resolvi ser curioso e perguntar sobre suas vidas, suas leituras e viagens.

O sujeito de 22 anos, com voz de tenor informa que viajou bastante no Brasil, mas que recusou viagens aos exterior por convicções políticas. Interessante. Este seria excelente se fosse apaixonado pela empresa, mas daria problemas se precisasse fazer algo com o qual não concordasse. Ou seja, não é adequado. Imagina que eu peça a ele que ofereça um livro que pretendo promover que vai de encontro aos seus ideais! Ele não faria.

O sujeito de 19 anos, barítono e lacônico. Respondia apenas àquilo que eu questionava objetiva e o olhava. Este é adequado hierarquicamente, mas deve ser péssimo em vendas, mesmo que leia muito, falta-lhe a habilidade de dissertar sobre o que lê ou colocar em prática toda a literatura sobre lógica discorre devorar. E diz isto em duas frases simples.

O sujeito final, 21 anos, era sorridente, visualmente adequado - magro, marcas de olheira e óculos. Contudo ele jogava mais do que lia, mas lia bastante blogs, interessava-se pelas opiniões de colunistas e lembrava de seus nomes e semana de publicação das colunas. Finalmente alguém capaz de ler ideias alheias e lembrar do momento de sua publicação. Excelente para a sessão de periódicos. Pena que a vaga esta ocupada, e o sujeito lembra de datas específicas de acontecimentos históricos e é um gênio na citação de best-sellers.

Informei a todos que seus currículos seriam analisados e suas respostas confrontadas com a vaga de vendedor. Que lhes enviaria o resultado até a quarta-feira. Era segunda-feira.

Quando eles saíram, eu percebi que o sujeito de 22 anos tinha um encurtamento de uma das pernas. O que o fazia mancar. Enfim, alguém pra vaga pra deficiente que leia e disfarce tão bem sua deficiência quando parado. Ele é apaixonado político - provavelmente anarquista - o que o faz suscetível a aceitação pelos outros. Eles irá me dever se eu o escolher e terei de deixar isto claro. Além do mais, se ele me causar problemas, as recusas a qualquer ordem contarão para uma justa-causa, se necessário. Excelente.

Mandei e-mail para ele 15 minutos depois que cruzaram a porta. Convoquei para que ele aparecesse na quarta-feira pela manhã, 15h.

Hoje, sexta-feira, eu o apresentei à equipe e fiz seu treinamento pessoalmente, medindo cada ação que ele emitia em concordância ou discordância. Ele precisa ter um treino intensivo pra disfarçar a discordância quanto à propaganda das capas em evidência na semana. Será um treino pra mim mesmo treinar um anarquista.

Estes jovens odiosamente apaixonados pelo utópico me dão asco, mas controláveis quando bem treinados. Diferente dos já assumidamente capitalistas. Estes disfarçam tão bem que até eu mesmo posso ser enganado por eles.

Final da tarde. O expediente se encerra. Esta na hora do meu uísque. Cobrarei uma parcela da dívida  da Inara que, embriagada, poderá me dar o feedback do que os funcionários acharam da escolha.

Victor Eras.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Olá a todos! Consegui trabalho! :)



Lembram-se de eu ter falado a três dias atrás de ter ido a uma entrevista de emprego na Hyper Books para vendedor!? Depois da tempestade vem a bonança. É esse o meu trabalho!
Vai permitir ter contacto com uma das minhas paixões: a leitura! Adoro histórias policiais e de terror sendo os meus autores favoritos a Agatha Christie e o Stephen King.
A loja deste shopping no Porto é fabulosa! Tem dois pisos sendo que a área destinada ao público no 1º Piso é em H e no 2º piso é em B. As iniciais de Hyper Books!
Os colegas e a chefe Margarida parecem ser pessoas fantásticas. Mas fica para outro dia falar sobre eles porque ainda não os conheço muito bem.
Hoje, que foi o meu primeiro dia de trabalho, tive direito a uma formação. Foi uma seca de tal forma que eu acabei por adormecer. A culpa não foi minha! Foi da chefe e dos meus colegas!
Durante a formação, houve um intervalo em que seis colegas, que iam iniciar o seu turno às 10h, serviram-nos uma bebida à nossa escolha. Eles disseram que era a forma dos cotas darem as boas-vindas aos novatos. E que boas-vindas!
Eu pedi um copo de leite simples morno porque não bebo café e já agora, nem bebidas alcoólicas. Então, o Álvaro, o mais velho, começou a contar-nos histórias inesquecíveis que tinham acontecido na loja.
A história, que mais me chamou atenção, aconteceu no Natal de 2004. Em todos os Natais há bichas enormes para pagar e por junto a nós na caixa há colegas nossos virados de costas prontos a embrulhar, se for necessário. Na bicha do Álvaro estava uma adepta ferrenha do FC Porto que comprou o livro “Largos Dias Têm 100 Anos” do Pinto da Costa, o presidente deste clube também conhecido como o Papa do futebol português. E numa bicha ao lado estava um adepto do Benfica que comprou o “Almanaque do Benfica” relativo ao centenário (1904-2004) deste clube desportivo. Estes dois adeptos pediram para embrulhar os livros. Só que depois de embrulhar, sem ninguém se perceber, o Álvaro recebeu o livro “Almanaque do Benfica” e entregou a adepta ferrenha do Porto. Conclusão: depois do Natal, a adepta foi lá a loja e coincidências do diabo, apanhou o Álvaro e agrediu-lhe várias vezes com o livro na cara. O que fez com que tivesse receber tratamento hospitalar no São João e ficasse sem menos três dentes da frente. É por isso que o Álvaro atualmente usa dentuça. Em relação ao benfiquista, passado uns dias, contaram ao Álvaro que essa pessoa encarou com boa disposição a troca dos livros.
Enquanto o Álvaro contava estas histórias, os outros cinco colegas esmagavam e colocavam soníferos nas nossas bebidas. Nós todos adormecemos no início da segunda parte!
Depois, não sei como, mas pegaram em nós e colocaram-nos em outros sítios. Foi uma praxe que ninguém levou a mal. Estou mortinho que chegue um grupo de novatos! Eu acordei eram 15h e estava abraçado a Daniela e em cima do monte das várias cópias do “Uma Vida ao Teu Lado” de Nicholas Sparks na montra do primeiro piso. Um livro que está no top 10 das vendas! Mas não fui e nem a Daniela quem ficou com a pior praxe. Foi o Vítor, que foi praxado por duas mulheres porque já deu para entender que o Vítor tem a mania de ser mulherengo. Elas colocaram-no nu no meio da loja mas completamente tapado por uma gigante cópia da capa do livro “ A Desumanização” do Valter Hugo Mãe que o amarrava. Este livro está no top 5 das vendas!
Após esta brincadeira, nós, os novatos, fomos lanchar/almoçar juntos com colegas que tinham terminado o turno às 16h à zona de restauração deste shopping. Este lanche serviu para nos conhecer melhor uns aos outros e também para aumentar o espírito de grupo. Depois, cada um foi para casa.
Eu ainda fiquei algum tempo no shopping para comprar os presentes de Natal para os meus pais, a minha irmã e para o Lince, o meu gato. Mas não vou revelar agora o que comprei! Prometo, que depois do Natal, eu digo quais são os presentes.
Agora tenho que ir embora porque a minha mãe está farta de chamar-me para jantar. Que chata! Mas é uma mãe porreira.

Abreijos,
José Maria

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Arquitetura da memória



O dia estava tão cinzento como na primeira vez que desembarcou no Heathrow, ainda sem compreender uma frase completa em inglês, atrapalhado com as esteiras para retirada das bagagens. A fluência no idioma, o terno bem cortado e a reserva no Hilton marcavam a distância entre o Caio Brandes de agora e o menino da década de 90 que viera para um curso intensivo e acabara casando com a musicista da qual se despedira em definitivo na cidade de Coimbra - hoje ela provavelmente mal lembra de sua existência.
Talvez a decisão de entrar na concorrência mesmo sabendo da estreita margem para criação, já que a rede mantinha um padrão visual com raras variações de continente para continente, tivesse alguma relação com a oportunidade de voltar à Inglaterra.  Hyper Books, já não gostava da pretensão embutida na marca, mas a antipatia ganhou reforços quando chegou à sede da companhia.
Ao invés de estar dentro de alguma das grandes livrarias localizadas em endereços charmosos e quase acolhedores – já que nenhuma megastore consegue ser realmente um lugar aprazível – , a sede da corporação ocupa o décimo quinto andar de uma torre envidraçada na Broadgate Tower. Enquanto aguardava o diretor de marketing, encarregado de acompanhar o processo de expansão da rede no Brasil, o brasileiro se mantinha imóvel na poltrona de couro escuro, pernas cruzadas, braços apoiados no estofado que imitava um modelo antigo e queixo apoiado no suporte formado pela mão direita. Os olhos vasculhavam a sala acarpetada em busca de alguma referência ao negócio. Seu imaginário esperava se deparar com uma sala cujas paredes revestidas de madeira nobre guardassem as edições mais relevantes na história da livraria, ou imagens das lojas mais antigas antes que a rede expandisse seus tentáculos para fora da Europa. Ao contrário disso, o local delimitava os espaços com divisórias de vidro temperado e persianas metálicas. Não se percebia quase ruído, talvez em função do pequeno número de ocupantes daquele andar.  A recepcionista o conduziu até a sala de espera, mostrou os dentes um pouco amarelados na moldura rubro intenso e prometeu que Mr. Kasper estaria disponível em dez minutos, no máximo.
Foram treze, acompanhados com rigor no Tissot com pulseira de couro preto que Caio reservava para ocasiões relevantes. Mr. Kasper, um sujeito atarracado e impaciente, deu instruções secas quanto às prioridades da nova loja – disponibilidade de espaços que pudessem ser negociados com as editoras para dar visibilidade aos títulos capazes de pagar pelo destaque do seu produto, caixas posicionadas de modo a não atrapalhar a circulação nas seções com maior lucratividade – DVD´s musicais e livros infantis – e um espaço com capacidade para realização de eventos que não interferisse no acesso às gôndolas dos mais vendidos. As cores seguiriam o padrão utilizado em toda a rede e estavam apontadas no contrato. Nenhuma recomendação para visitar a maior loja, em Londres mesmo, antes de iniciar o projeto e o aviso de que a entrega seria fiscalizada pelo próprio Kasper. Se não saísse da visita completamente satisfeito, o bônus previsto no contrato não seria aprovado - alertou o executivo.
Caio havia pensando em pedir para conversar com outros responsáveis da rede, para compreender a filosofia organizacional e adequar, na medida do possível, o espaço para que refletisse os valores e o modo de trabalhar, mas a acolhida não lhe pareceu propícia. Quando voltasse ao Brasil tentaria contatos informais com a equipe.
Saiu da reunião com ânimo nenhum para pensar no projeto. Lembrou de Ruth tocando violoncelo, mas não tinha seu endereço. Enquanto aguardava o táxi para levá-lo ao hotel, fingiu para si a possibilidade de percorrer novamente os trajetos da época em que desenhava fachadas de prédios históricos para arrecadar alguma grana, mas a neve não parecia disposta a dar trégua.