sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Cacáfonia (só que não)

Caro Caio,

Conforme combinamos, confirmo comparecimento à capital colorada. Cada convidado a nossa congregação compartilhará conjecturas com convicção (creio), cabendo ao capacitado colega construir consenso com capricho. Cadernos e cartilhas conterão conhecimento complementar.

Comunicação com companheiros conectados a computadores comporá o conjunto de cabeças à caça da conclusão cabal. Conduzo comigo desta capital companheiro, a quem concedi conselho de que não carregue cachecóis, conhecendo o cruel calor da capital cujo caminho cursaremos. Clamo que concedas conselho congênere a companheiros com cujo contato não conto.

Completo comunicando que comemoraremos o concílio (caso conquistada convergência de conselhos) com celebração contida. Confio que compromissos concomitantes não comprometerão o comparecimento do colega. Candidato-me a comparecer com comidas carregadas de cravo e canela, condimentos que cultuo.

Cordialmente,
Cacá

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Escrevo novamente pois esqueci de dizer que a reunião foi marcada pela diretoria para o dia 27.

Desculpe o lapso, estava preocupado com outras coisas.

Atenciosamente

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Devaneio musical em frente ao atribulado (e semi-natalino) departamento de RH

Nobody said it was easy/ It's such a shame for us to part/ Nobody said it was easy…

Ele divaga, lembrava de suas viagens de carro. Coldplay não era uma banda super brilhante na opinião dele, mas o que faz a música que não odiamos em um momento obter um significado em um dado momento, quando acidentalmente algo toca em uma situação inadequada. A música ganha significado. Não é mais uma música, é retrato de um momento. De dor geralmente.

A sala era discretamente inundada pela música de um player em formato de barra metálica que ficava no canto esquerdo de Victor Eras quando sentado em sua mesa, em frente à porta da gerência dos Recursos Humanos.

A música ainda flutuava levemente na sala, como se para o atormentar. Come back and haunt me… Mas Victor era forte. Sorria levemente lembrando de seu passado. Da escolha pelos livros e pela profissão, no lugar de viver uma vida modesta e pacata que provavelmente lhe proporcionaria um grande amor. Engraçado que ela possa acompanhar minhas memórias, mesmo depois de três anos.

O horário de trabalho estava próximo ao fim. Ele tinha decidido correr seus velhos e amigáveis 10km, ou próximo a isto no Parque Sara Kubitshek. Contudo ainda o intrigava, posterior à escrita dos relatórios de desempenho humano nos setores da Hyper Books, a ausência de retorno do e-mail do arquiteto Caio, indivíduo indicado para projetar a nova loja da livraria no shopping de Porto Alegre. Obviamente ele não colocou apenas o nome no título, contudo seu cargo na livraria multinacional. Isto pode ter contribuído para ele evitar a leitura. Provavelmente alguns sujeitos mais comunicativos tenham feito contato por telefone ou pessoalmente… Humanos, sempre prontos ao contato, e quando mais interessa não falam nada.

Ele é paciente. Não foi sempre, mas aprendeu a sê-lo. A observação lhe tem sido uma boa companheira. Junto com as reflexões e devaneios.

Hoje não haveria uísque, encontros ou planejamentos detalhados. Haveria corrida, reflexões e música. Bem como leitura.

Recordou-se imediatamente do aforismo XV de Bacon em Novum Organum ou Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza:

"Não há nenhuma solidez nas noções lógicas ou físicas. Substância, qualidade, ação, paixão, nem mesmo ser, são noções seguras. Muito menos ainda as de pesado, leve, denso, raro, úmido, seco, geração, corrupção, atração, repulsão, elemento, matéria, forma e outras do gênero. Todas são fantásticas e mal definidas."

Ele voltaria da corrida com novos significados para os eventos da semana que se finaliza. Momento de pesar os ganhos e perdas. De organizar os recursos (humanos) para as festas natalinas que tanto agradam clientes e funcionários. Que lhe parecem pessoalmente lamuriosas e falsas, mas que são de um retorno enorme à multinacional. A música é clara: não posso mudar o mundo todo, mas posso adequar uma pequena parte dele para atingir fins específicos, os meus fins.

Ele já não pensava em Bacon, em Novum Organum, e, menos ainda, em Coldplay com a letra significativa, mas repetitiva de The Scientist. É a música da sobrevivência.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Desenhar e fugir


O escritório anda silencioso, boa parte dos estagiários está mais concentrada no final do semestre em seus cursos do que nos projetos que por essa época ou já foram concluídos ou estão em stand by. Caio rabisca layouts, consulta na memória as livrarias que mais lhe agradaram, tenta imaginar uma que satisfizesse leitores com diferentes perfis e que se afaste do clima que encontrou na sede da rede em Londres. Odiou aquele lugar. Como contraponto, lembrou del Ateneo, em Buenos Ayres, mas aquele era um espaço irreproduzível e totalmente na contramão da proposta de uma megastore multinacional.

Sobre a grande mesa com tampo de vidro fosco estão espalhados seus lápis de grafite macio, as folhas tamanho A3 de gramatura 224g/cm2 e os livros com as obras preferidas de Santiago Calatrava e um volume antigo sobre escadarias, de Pilar Chueca – pensava em utilizar alguma ideia impactante para unir os dois pavimentos do espaço amplo de pé direito duplo.  Queria ter um esboço para apresentar ao gerente de logística quando se encontrassem, mais para ter assunto do que pela expectativa de uma aprovação ou análise crítica. Mas o que precisava mesmo era ocupar-se com qualquer som ou vista vindos de fora da própria cabeça. Desenhar ainda era uma boa alternativa de anestesiar sensações incômodas.
Concluiu quatro esboços de escadaria, uma, por pura fanfarronice, usava as iniciais da rede como guarda corpo. Talvez fosse melhor não mostrar aquele desenho. E se o gerente gostasse da ideia e insistisse na sua aplicação? Melhor descartar.
Os dedos sujos de grafite deixaram marcas bonitas na porcelana branca da xícara. A bonita mistura de branco louça e carvão-metálico seria uma boa escolha, não estivesse obrigado a usar os berrantes amarelo e vermelho. Seria necessário investir em madeira e luzes suaves para abrandar a gritaria das cores, mas nesse momento Caio se concentra nos rumores da rua que sobem até sua janela. Não são provenientes do trânsito ou da movimentação comercial dos arredores, mas de um bate boca de namorados. Isso ele vê através da vidraça porque tem pudor de escancarar o postigo e interrompê-los. O casal é jovem e não se importa com a senhora idosa que passa por eles com ar interrogativo, parecendo querer avisá-los do tempo que perdem com besteiras.
De volta à mesa de trabalho na sala predominantemente branca, Caio remexe os e-mails recentes e percebe ter recebido também o contato de um gerente de RH, parece que de Brasília, mas sente-se pouco estimulado a ligar. Protelar ainda é um hábito forte.  

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Conheça quem faz a Hyper Books

Página Inicial I Conheça outros funcionários I Localize uma loja I Trabalhe Conosco

Funcionário: Carlos Alberto Moreira Leal (Cacá)
Função: Gerente de Logística
Local: Escritório da rede (São Paulo/SP)

Olá, amigos. Eu sou o Carlos Alberto, e trabalho como gerente de logística da Hyper Books no Brasil. Comecei na empresa como vendedor na loja dos Jardins, em São Paulo, há mais de dez anos. Era para ser só um emprego temporário, uma maneira de pagar as contas enquanto estudava Direito. Me apaixonei pelo ambiente da livraria, pelo trabalho, pela equipe (até demais, conheci minha esposa aqui). Mudei de curso na faculdade, fui sendo promovido, e hoje tenho um cargo que adoro, e que desempenho com muito prazer.

Mas o que nós fazemos no Departamente do Logística? Como vocês devem saber, a Hyper Books tem muitas lojas espalhadas pelo Brasil. Todas essas lojas precisam receber os lançamentos em termos de livros, CDs, blu-rays, revistas, além de reabastecer os estoques quando algum produto está acabando. Nós recebemos os pedidos de cada loja, organizamos a distribuição, o transporte. Nosso objetivo é garantir que cada loja possa oferecer ao cliente as opções que ele procura, sendo que os produtos devem chegar sempre em ótimas condições, em prazo razoável e com o menor custo possível, para que possamos oferecer os melhores preços a vocês, nossos clientes.


Todos na nossa equipe aqui no Departamento de Logística da Hyper Books Brasil temos muito orgulho do nosso papel em tornar cada visita a nossas lojas uma experiência recompensadora.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ligações Improváveis

Foto de Croquezz
Quando Caio atendeu o telefone, cordial e disposto a agendar o encontro mesmo que já tivesse antes decidido que não abriria o escritório no período entre natal e ano novo, arrependeu-se imediatamente de ter solicitado reuniões presenciais com membros da equipe local. No fundo talvez não fosse fazer muita diferença ouvir os anseios de algum empregado da organização a menos que fosse alguém destacado para trabalhar na cidade, mas como recém haviam contratado o espaço no shopping para iniciar a montagem, provavelmente só poderia conversar mesmo com membros de outras regiões.

Antes de retornar ao Brasil, sem ter refeito os percursos que imaginava querer relembrar, o arquiteto conheceu a maior das lojas de Londres e a filial do Porto, que lhe surpreendeu pela extravagância de ter sido montada com um layout que representava as iniciais da marca. Ver aquilo o confortou, por um lado, significava que talvez a margem para criação fosse até maior do que imaginava. Por outro lado, se o tal gerentão que conheceu em Londres tinha gostado daquele projeto, certamente não gostaria do que ele estava planejando.

O gerente de logística da rede foi quem ligou, pessoalmente. O fato de ter dispensado as formalidades de uma secretária para intermediar o encontro fez com que Caio perguntasse se ele já conhecia a cidade, se precisava de indicações para hospedagem e até a convidá-lo para jantar. Arrependeu-se um pouco pelo excesso de atenções, pois não tinha ideia se simpatizaria com o sujeito. De toda sorte, poderia levantar as informações fundamentais para tocar o projeto.

O jovem gerente da logística se apresentou como Cacá, assim sem nenhuma cerimônia. Caio estranhou, mas supôs que a competência do rapaz era suficiente para não precisar de outros artifícios que impusessem respeito. Enquanto combinavam os detalhes da reunião que deveria acontecer depois do dia 26, pareciam amigos de tempos.

- Minha mãe era bibliotecária, talvez por isso tenha me empolgado em projetar uma livraria.
- Que bacana. Ela certamente vai gostar de fazer compras na loja que o filho planejou.
- Não poderia. Mesmo que ainda fosse viva, não morava aqui. Eu não sou gaúcho, vim de São Paulo há muitos anos.
- Ahn. Desculpe.
- Sem problemas. Quando tiver definido os detalhes da viagem, voltamos a nos falar.

Despediram-se sem preocupações com o pequeno incidente da conversa. Caio não anotou na sua agenda de qual filial ele vinha, tampouco se viria sozinho ou com mais alguém da equipe. Andava disperso e continuava sem entender porque se empenhara para ganhar aquele contrato justo no momento em que estava praticamente decidido a deixar a profissão de lado, ao menos até decifrar as inquietações que surgiram naqueles dias de longas caminhadas na praia, quando a cena do pescador consertando sua rede suscitaram uma inveja febril em Caio.

Era noite já quando resolveu andar pelas ruas do centro para se livrar do ar abafado que reinava no apartamento e nas ruas aristocráticas do bairro onde morava. Ao passar pela vitrine da pequena livraria de rua, questionou-se se Vilma teria mesmo orgulho de um projeto no estilo que faria. Talvez ela preferisse essas pequenas lojas de rua onde os compradores, os vendedores e os livros se conheciam todos.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Parabéns Hyper Books do Porto! :)


Parabéns a você,
nesta data querida,
muita felicidade,
muitos anos de vida

Parabéns Hyper Books do Porto
nesta data querida
muita felicidade,
muitos anos de vida!

Hoje, feriado da Imaculada Conceição, a Hyper Books do Porto faz uma década de existência!
Para comemorar o aniversário, colocou todos os livros com 50% desconto.
É a confusão total na loja apesar de serem 23h45mins de um domingo! Há corredores com as estantes completamente vazias e também há bichas quase a dar a volta completa a loja. Isto obrigou os seguranças ao longo do dia a fecharem a loja temporariamente por questões de segurança.
Infelizmente, já foi chamado o INEM algumas vezes para socorrer alguns feridos. Espero que esteja tudo bem com estas pessoas! O caso mais grave ocorreu a hora do almoço. Eram 13h13mins quando terminou a disputa de Aunt Renie, a famosa idosa, e Maria, uma jovem grávida, pelo “O Milionário de Lisboa” de José Rodrigues dos Santos. Era o último exemplar! A Aunt Renie, que é a viúva famosa por dar a volta ao mundo como forma de combater a solidão, vinha de sul para norte da zona da poesia portuguesa com o seu guarda-chuva pendurado no braço esquerdo. A Maria, que pela barriga aparentava estar grávida a 6 meses, vinha de norte para sul da zona da culinária com uma expressão facial de fúria, que talvez causada pelo caos. Mas no meio da confusão, o livro foi rasgado a meio e após a confusão a Aunt Renie ficou com uma perna partida e a Maria a sangrar da cara. Isto tudo era desnecessário porque teve origem no toque involuntário da idosa com o guarda-chuva na barriga da jovem grávida. Os outros casos tiveram haver sobretudo a quebras de tensão mas também há casos de pessoas agredirem com chapadas ou puxarem cabelos a outras pessoas com o objetivo de roubarem livros.
Só quero ir dormir! Estou completamente roto da cabeça e do corpo! A manhã até começou normal e com alguma calma apesar de estarmos em época natalícia. Esta calma deve-se sobretudo ao gerente da loja que guardou em segredo esta promoção até meia hora antes da abertura da loja. Depois, a palavra começou a passar em boca em boca e em rede social em rede social e em cerca de 45 minutos instalou-se o caos.
Mas no meio deste caos, eu tive direito a dois minutos de fama! Viram-me no telejornal da noite do canal 3!? Era um sonho de criança falar na televisão. Já sou famoso! Amanhã, eu depois vou a box e vejo o telejornal.
Sobre a possível queixou que entrou na ASAE contra a Hyper Books do Porto por causa de dumping, eu estou proibido confirmar ou desmentir pela gerência da loja. Só posso expressar a minha opinião que é que neste Natal há imensas famílias que vão ter um Natal mais risonho apesar das suas dificuldades económicas porque a gerência desta loja. Também espero que a gerência nos pague, pelo menos, a dobrar este dia porque o trabalho é de outro mundo. Assim, também tenho direito a ter um Natal mais risonho!
Agora, eu vou a zona da restauração jantar um hambúrguer com batatas fritas porque não há tempo a perder e a noite promete ser longa.

Abreijos,

José Maria

sábado, 7 de dezembro de 2013

Viagem. Mental.

Nossa, faz tempo que não vou a Porto Alegre. E tinha que ser justo agora, na época mais movimentada do ano. Demoram um tempão pra definir a abertura de outra loja lá, e resolvem tirar o projeto do zero no Natal. Se dependesse só dos chefões lá da Inglaterra, provavelmente a livraria nova já estaria aberta. Com eles, o negócio é eficiência. O Brasil é mais complicado. Mas nós não levamos o mesmo baque da última crise, e agora somos um bom negócio. Eles que aguentem as maluquices daqui.

Vou ouvir alguma coisa. Agitada, pra cima. O lado ruim de ter muita música é que às vezes é difícil de escolher, se o cara não tá com vontade de ouvir algo bem específico. Skynyrd, Sweet Home Alabama, tá escolhido. De repente é uma boa trocar algumas músicas do iPhone antes de viajar. Como era mesmo o nome do gerente da loja de Porto Alegre? Depois eu olho na agenda. O arquiteto provavelmente vai querer falar com ele também. Como será esse arquiteto? Deve ser bom, aprovado diretamente pelo pessoal de Londres. Será que conhece Porto Alegre?

Vou convidar a Maria Clara pra ir comigo. Da outra vez ela já não foi, não conhece Porto Alegre ainda. Só ficou perguntando na volta se as gaúchas eram mesmo tão bonitas. Próxima música... Mike and the Mechanics, Over My Shoulder. Não, a letra é meio deprê, fim de relacionamento, cara chutado pela mulher. O novo clipe do Paul, óbvio! Ainda falta identificar algumas das celebridades. Johnny Depp, Meryl Streep, Jude Law, Sean Penn, Chris Pine, esses foram fáceis. Alice Eve, a cena da calcinha no último Star Trek, mas tive que pesquisar o nome. Lily Cole também. Pô, aquela é a Alanis ou não é? Passa muito rápido. O Júnior falou que tem o Tom Ford também, mas quem é que conhece a cara de um estilista? A Kate Moss dançando em cima da mesa é quase tão sexy quanto a Alice Eve deitadinha no piano. Acabou, mais tarde eu tento de novo. Dance Tonight. Nunca consigo ver um clipe do Paul sem ver Dance Tonight depois. Vão me matar, mas tenho que admitir, pelo menos pra mim mesmo, que é uma das minhas preferidas dele. Quem é que vai me matar se eu admito só pra mim mesmo? Que bobagem. Uhu, propaganda nova do Head & Shoulders com o Joel!


A Maria Clara não vai querer ir pra POA. Mesmo sendo no Natal. Ou quase no Natal. Pelo menos não vão me obrigar a viajar exatamente em 24 e 25. Que rosto lindo tem essa Natalie Portman. Vai estar quente pra caramba. Eu já cai nessa de achar que o Sul é sempre frio. Dessa vez, vou preparado pro calor. Enfim, ela não vai querer ir. Não sei se eu iria se não fosse a trabalho também. Além do calor de matar, a cidade fica morta nessa época, e nem tem muito pra fazer mesmo quando as pessoas estão lá. Mas vou convidar igual. Bom, a viagem é mais pra frente. Antes disso, ainda tem um monte de entregas a organizar. Melhor começar a preparar as atividades da semana. Pera, acabou o clipe, vou pegar alguma coisa pra comer e depois começo a trabalhar.