quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

J + D = A


Boa noite!
Eu confesso-me! Sou o tal colega que está apaixonado pela Daniela. E como não tive nenhuma resposta, eu decidi procurar ajuda no motor de busca do Google. Lá encontrei a página “10 maneiras de dizer ‘Eu te amo’” da autoria de Christiane Silva.
Apesar de serem conselhos para mulheres conquistarem homens, o José Maria ignorou isto e iniciou uma operação para me conquistar.
Logo às oito da manhã, eu comecei pela primeira maneira: “Mande um SMS.” Depois de dois minutos, à volta do telemóvel, a pensar mando ou não mando, como se faz um malmequer, lá mandei um SMS a dizer “Bom dia! Eu amo-te!”. Recebi de resposta outro SMS a dizer “Bom dia, irmão! Deves ter enganado no número. Sou o padre (não posso divulgar). Jesus que guie o teu caminho. Abraço!”
Foi assim que percebi que ele percebeu que tinha apontando mal o meu número e mandou um SMS para o padre de uma paróquia no interior de Portugal.
A primeira maneira não resultou. Então fui a segunda maneira: “Assista a um jogo dele.”
 Mas como eu não pratico desporto, o Zé avançou para a terceira maneira.
“Poste uma música no mural dele no Facebook” é o que diz a terceira maneira. Então, liguei o meu pc e lá procurei o Facebook da Daniela. Após uns minutos de pesquisa, lá o encontrei graças a uma identificação numa foto. De seguida, fui ao Youtube e procurei “A Bela Portuguesa” do Diapasão. Postei o vídeo com a mensagem “Lembrei-me de ti” no mural da Daniela.
Passado uns segundos, eu respondi ao José Maria com a mensagem “Pois! Ontem, eu levei um casaco amarelo igual.” Zé, como é que tu querias que eu associasse uma música pimba dos anos 90 ao “Amo-te!? Devias ter postado uma música romântica famosa ou então um vídeo onde cantavas tu. Devia ser lindo!
Como esta terceira maneira não teve o resultado desejado, eu li a quarta maneira que diz “Dê um abraço bem apertado!” Foi a primeira coisa que pensei fazer quando cheguei a Hyper Books.
Mas quando ele ia-me abraçar, na secção de culinária, tropeçou numa canadiana de uma senhora na casa dos 50 anos. Mal o Zé caiu ao chão, a senhora agradeceu-lhe por ter aparecido e perguntou qual era o seu livro de receitas de Natal. O José Maria não respondeu porque estava com cara de poucos amigos.
Após uma hora a tentar acalmar-me, passei para a maneira seguinte que é “Deixe um bilhetinho”. Veio logo à cabeça deixar um convite para almoçar porque a Daniela trás marmita de casa para almoçar na Hyper Books. Lá escrevi o bilhetinho e deixei-o dentro do cacifo da Daniela. O tempo parece que começou andar muito lentamente e nunca mais era hora de almoço. Depois de uma eternidade, finalmente era hora de almoço. Corri rapidamente para a mesa junto da estátua do Ronald McDonald e esperei pela Daniela. Minuto mais minuto mais minuto e sem sinal da Daniela.
Realmente, foi uma péssima ideia do Zé deixar o bilhetinho no meu cacifo. Só fui lá depois de terminar o turno porque como é Natal, as mulheres do Hyper Books decidiram à última hora fazerem um almoço de Natal num café perto do shopping onde serve comida boa e barata.
Então apareceu a maneira “Roube um beijo.” Pensei logo para mim, Zé Maria tem que ser este.
E realmente foi! É difícil esquecer este momento. Estava ajudar as criancinhas a sentarem-se no colo do Pai Natal, quando o Zé apareceu com um olhar para a frente e cheio de confiança. Só que tanto olhar para a frente, esqueceu-se dos dois degraus e tropeçou neles. Mas ao tropeçar neles, agarrou-se a mim e caímos os dois juntos ao chão. E claro, que é difícil resistir quando temos um homem deitado por cima de nós. Por isso, eu beijei-o na boca. Já a vários dias que lhe ando a olhar nos olhos, que curiosamente é a maneira seguinte, e o Zé não se apercebeu.
Estou sem palavras para descrever aquele beijo da Daniela. Só foi pena durar pouco porque a Dani começou a queixar-se do pescoço.
E é por isso que estou novamente a escrever este diário no Hospital São João. A Dani teve alta a uns minutos atrás. Mas tive que lhe dar um presente inesperado, que é a oitava maneira. Não é todos os dias que o primeiro presente que o namorado dá a namorada um protetor de pescoço. É a minha Camões!
E ele é o meu Charlot! Apesar de tantos incidentes, lá me conquistou.
Amo-te José Maria!
Amo-te Daniela dos Anjos!

Abreijos,
José Maria e Daniela dos Anjos

P.S. “Ande de mãos dadas.” e “Faça elogios criativos.” são as maneiras seguintes. Mas isto nós iremos fazer muitas vezes daqui para a frente.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Diferenças


(imagem do Blog da Julieta)

Dezembro é um mês frenético, mas Caio não costuma ser contaminado pelas agitações comerciais ou festivas. Incomoda-se um pouco com o agravamento das confusões no trânsito e, nessas horas, se alegra de ter escolhido viver no sul, deixando o ruído contínuo de São Paulo como uma lembrança embaçada. 

A resposta cheia de sutilezas e ordens disfarçadas de sugestões que recebeu do gerente Vitor o fez pensar na discrepância de estilos que grassava na Hyper Books e achou isso interessante. Um pequeno retrato do mundo, como costumam ser as organizações. Para não desprezar de todo o uso das tais iniciais, pensou em estantes cujas laterais incorporassem o monograma – chapas de compensando cortado a jato d’água seriam ideais para obter o efeito desejado.


Gastou a terça-feira sobre a mesa de trabalho, terminando os esboços em papel antes de passar para algum dos aficionados por tecnologia que estagiava no escritório fazer a edição no computador. Quando saiu do escritório, já no meio da quadra, voltou-se e contemplou o sobrado charmoso de janelas verdes que já se tornara referência no cenário da arquitetura regional e lembrou-se do tempo em que a insegurança o fazia temer pelo futuro. Nos tempos de estudante, quando caminhava pelas ruas arborizadas do bairro onde alugou o imóvel comercial e onde tem seu apartamento, não cogitava a possibilidade de transitar por ali, considerando aquela condição social acima de suas expectativas. Quase vinte anos mudaram drasticamente sua forma de ver o lugar e suas pretensões. 

Antes de visitar o sebo no centro da cidade, onde pretendia buscar inspiração para o café solicitado  pelo gerente de RH, parou no Parcão para aproveitar  a sombra e um banco solitário com vista para  a agitação dos que passavam por ali. Não tardou a aparecer uma velhinha simpática que pediu licença para partilhar o banco com ele. O sotaque carregado indicava duas possibilidades, ou vinha de alguma das colônias alemãs do interior do estado ou era mesmo estrangeira. Disposto a não se preocupar com o relógio, Caio contrariou o usual recolhimento e puxou conversa. Renie, um pouco constrangida, disso no pouco português de que dispunha, estar de passagem pela cidade, conhecendo as áreas verdes e os museus. 

Caio sentiu-se à vontade para contar os planos da tarde para Aunt Renie. Encontrar alguém que falasse inglês a fez sentir-se animada e a senhora manifestou interesse em visitar o sebo com o novo amigo assim que soube que ficava próximo de outro parque da cidade. Quando deu por si, Caio estava recebendo sugestões para o projeto da livraria e convidando a estrangeira desconhecida para conhecer seu escritório e precisou se esforçar para não convidá-la a se hospedar em seu apartamento.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Amor é fogo que arde sem se ver :)




Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões

Há um foco de incêndio invisível na Hyper Books do Porto!
O incêndio foi atado, ao bocado, por volta das 16h, pelo Cupido na zona de romance em língua portuguesa. Um colega meu, que não vou revelar o nome por questões de privacidade, estava a arrumar os livros no sítio certo com ajuda da Daniela porque as pessoas têm a mania de pegar nos livros, lerem ou fotografarem o livro às escondidinhas e depois deixar o livro num sítio qualquer para que não seja descoberto o seu comportamento menos correto. Estas pessoas esquecem que a loja tem um muito bom sistema de vídeo vigilância.
Voltando ao amor, ai, o meu tal colega e a Daniela estavam arrumar os livros de costas viradas de um para o outro e de repente, ainda estou para descobrir, caiu de uma estante superior 13 exemplares do “Amor de Perdição” de Camilo Castelo Branco em cima das suas cabeças. O meu tal colega J… socorreu imediatamente a Daniela porque ficou inconsciente durante algum tempo. Atualmente, a Daniela está a ser assistida no Hospital São João para ver se a sua cabeça não ficou afetada. Curiosamente é o mesmo onde me encontro. Mas atenção que a minha presença e da Daniela é pura coincidência! Eu vim ao hospital a uma consulta oftalmológica porque ando a ver mal. Ai o amor!
Mas a Daniela não sabe que o meu tal colega gosta dela porque ele é tímido. Alguém quer dar conselhos como ele pode conquistar a Daniela!? Eu não dou conselhos porque não sou perito neste assunto.
Em relação ao dia da Hyper Books até às 16h foi um dia igual aos outros. Trabalho mais trabalho e mais trabalho porque os portugueses também deixam tudo para a última da hora. Cacá, não são só os brasileiros que têm este problema.
Quanto mais próximos no Natal maior o número de clientes por dia. E é o primeiro Natal que não vou poder festejar em condições porque dia 25 trabalho. É uma das regras da Hyper Books que obriga os novatos a trabalhar no Natal ou no Ano Novo. Ao menos prefiro ter o dia de Ano Novo de folga para poder comemorar a passagem de Ano Novo com a toda alegria mas sem consumo de bebidas alcoólicas.

Chi-coração,
José Maria